Coisas de Cachaço

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Como escrevi em outra crônica, minha família sempre manteve e abateu porcos. Geralmente comprando os leitões quando estes eram desmamados da mãe e vendidos por outros criadores. Mas um sonho que minha mãe sempre demonstrou era em criar leitões novamente e poder vê-los sendo amamentados pela porca. E compartilhando desse sonho, eu também tive curiosidade em saber como é ter um porco que não é castrado, ou seja, um cachaço. Acredito que esse sonho se deu talvez por uma admiração dos garotos e homens ao que é forte, másculo, violento ou protetor. Os cachaços têm fama de serem maiores, mais musculosos, com grandes presas e com maior disponibilidade a serem agressivos.

O sonho foi se tornando realidade, compramos uma porca e um porco e eles foram crescendo. A porca ficou doente e depois de um tempo morreu, então tivemos que deixar outra mais nova crescendo para substituí-la. Depois de uns meses ela ficou prenha, a barriga foi crescendo e logo tivemos de separar o casal, o cachaço ficou agressivo e buscava comer toda a comida sem repartir com ela. Em uma manhã fria de inverno escutei um grunhido estranho vindo na direção do chiqueiro. Pensei que era um dos dois que havia fugido e estava comemorando a liberdade, mas quando me aproximei mais escutei um grunhido mais baixo e entendi que a porca estava parindo. Ela deu à luz quatro porquinhos e uma porquinha, que resistiram ao frio e já estão grandinhos.

Mas o cachaço que eu sonhava em ter, pode se tornar um pesadelo. Lembra que eu disse que eles costumam ficar violentos, mais fortes e pesados? Pesado ele já está ficando, grande também, e as presas já aparecem em sua boca, mas a parte do violento eu estou esperando para ver. Na verdade é a parte do meu sonho que eu dispenso e até espero que não se realize. Por enquanto ele me deixa limpar o chiqueiro mas me assusta quando leva um susto, pois dá uma grunhida feroz quando se sente ameaçado.

Talvez o medo maior ainda é que ele de alguma forma fuja do chiqueiro e vá para a floresta até que um caçador lhe aproveite a carne (como já aconteceu a alguns anos com um porco da minha família e é meio comum aqui no interior). Mas hoje me ocorreu uma esperança. Lembrei do pai desse cachaço quando fui comprá-lo, era grande mas parecia manso. Essa pode ser uma qualidade mais calma de porcos, e espero que esse no chiqueiro continue manso e cumprindo com sua função.

22/07/22

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