Em um sábado a tarde

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Rafael girou a chave na fechadura e abriu o portão. Era uma grade de ferro que permitia a entrada do dono e de seus amigos dentro daquela fortaleza. Entrou no carro e o guardou na garagem. Depois de fechar o portão analizou cuidadosamente a calçada, havia algumas folhas secas, bem menos do que esperava encontrar depois de tantos dias fora. Alguém havia varrido.

O dia estava frio, Rafael entrou em casa com pressa e fechou a porta. A casa não estava quente, mas era um ótimo abrigo contra o vento congelante. Colocou as malas no sofá. O assoalho da sala estava impecável, as tábuas enceradas brilhavam e refletiam quase como o espelho do banheiro. Buscou algumas roupas limpas no quarto. As sujas que havia deixado atrás da porta estavam limpas e dobradas.

O banheiro cheirava a eucalipto. Após desligar o chuveiro, secou-se e vestiu as roupas, olhou no espelho e confirmou com os olhos o que suas mãos constataram apalpando o queixo enquanto estava no avião, precisava fazer a barba. Mas o pincel que deixou ensaboado na pia quando saíu atrasado para pegar o vôo havia sumido. Abriu o armário da parede e o achou, seco e macio. Penteou os cabelos, passou desodorante e foi procurar algo para beber.

Os balcões da cozinha estavam limpos, sem farelos de pão na mesa e louças sujas na pia. A lixeira vazia e os vasinhos de tempeiros com a terra úmida. Rafael abriu a geladeira e contemplou as latinhas de cerveja, mas naquele momento não queria beber nada alcólico, pensou em fazer café, mas precisava relaxar e lembrou das caixinhas de chá que comprou na viagem. Foi até a sala procurar em sua bagagem de mão, as caixinhas estavam um pouco amassadas, mas com um pouco de esforço conseguiu restaurálas à sua forma normal.

Pôs a água esquentar e retornou até a sala a procura de um livro na estante que seria sua nova aventura. Escolheu um que já havia começado a ler mas parou para estudar um livro técnico do trabalho e depois não retomou a leitura. Pegou-o da estante e sentou na poltrona para começar a leitura de onde havia parado. Logo levantou e foi verificar se a água estava quente e fazer o chá.

Voltou para a sala com a xícara em mãos, colocou na mesa de centro e abriu novamente o livro. Descansou alegre, a casa estava em ordem, a calçada varrida, a sala encerada, as roupas lavadas, o banheiro impecável, as plantas na cozinha regadas. Para Rafael, eram as maravilhas da evolução, com certeza havia dado mais uma dessas explosões, que surgem em lugares inusitados e varrem as calçadas, lavam as roupas e regam as plantas.

Mas depois lembrou que essa evolução na verdade se chama Margarida, uma senhora simpática, bem humorada e caprichosa que têm cópias das chaves da casa e a quem ele pagava nos finais de mês.

21/01/23

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