— Vasily, nosso Boris irá voltar?
— Ora, mas que dúvida boba, Anastassia! Não vistes, assim como eu, o nosso rapaz tornar-se cada vez mais forte? Como empunhava habilmente a espada, nosso querido Boris? Com aquela mesma lâmina venci incontáveis embates, rolei por lama e escalei penhascos. Quantos golpes ela aguentou firme em minha mão? A emprestei a ele e o fiz prometer que me devolveria.
— Ele deve estar agora em uma mata escura, talvez esteja com frio, com fome, ou até mesmo machucado. Ou quem sabe…
— Não querida, não te lembras? Nosso Boris não é assim! Pensa assim porque não o viste brigando, como aquele dia com o filho do Mikhail. E como lutava o nosso Boris! Foi uma pena ter de apartar, o outro garoto não estava mais aguentando.
— Ele estava bem alimentado, mas e se a comida estiver escassa?
— Quanto a isso não te preocupe Anastassia. Eu mesmo ensinei-lhe tantos truques e armadilhas, pelo menos um coelho ou uma ave ele há de arranjar.
— Lembro-me daquela vez em que você o trouxe em seus braços depois daquela nevasca. Te lembras quantos dias ele ficou de cama? Como tremia o nosso Boris! E eu o imagino assim agora, em meio ao frio, às lutas e disparos.
— Ora, foi uma infelicidade. Mas te lembras como cavalgava o nosso garoto? Como apertava as pernas na barriga daqueles garanhões e sumia por aí? E como atirava montado? Lembro como se fosse hoje cada cervo que ele trouxe na garupa. Que os animais dos bosques se preparem, o nosso Boris irá voltar!
— Lembro-me do dia em que ele quebrou a perna, quando montou naquele chucro.
— Mas naquela época ele ainda estava aprendendo. E te lembras que em pouco tempo já estava montando novamente. Como é corajoso o nosso Boris!
— Ele deve estar com saudades de Olga. Lembra como eles se despediram? Quantas lágrimas nós derramamos, pelo nosso querido Boris?
— Mas não é preciso, Anastassia! Logo ouviremos um cavalo galopando na grama congelada, e o nosso Boris, encouraçado de medalhas, me devolverá a espada. Faremos uma grande festa, compraremos muito vinho, abateremos os gansos e o último touro do celeiro. Tudo irá bem outra vez, com o nosso querido Boris!
— Sim Vasily. Porém, a sua esperança não me traz alegria. E os outros? E os outros de nós?
