Coisa Magnífica!

Às vezes fico bobo com umas coisas simples. Meio pensativo, como aquele apresentador mencionando “o encontro da clara e do ovo dentro do bolo”. Naquele caso provavelmente havia substâncias envolvidas. Mas minhas divagações são apenas fruto da contemplação. Tanto é que esse encantamento persiste através dos anos. E por coincidência, uma dessas simples admirações também é culinária. Meu espanto é, vejam só, com o banho-maria! Que coisa fascinante! 

Se tenho uma panela com algo quente, e preciso que esfrie um pouco, tenho deveras um problema. Quem poderá me defender? Água fria! Mas por exigências culinárias e falta de espaço na panela, não posso colocar água fria nessa mistura. E aí vem o “pulo do gato”. Repare a engenhosidade: água fria dentro de uma bacia maior ou na pia, enquanto a panela vai dentro. Sem estragar a comida, mas esfriando-a pelo contato com a água. E essa é apenas uma das facetas dessa prática revolucionária. Vejam só, também é possível esquentar as coisas usando o mesmo esquema! 

É, esquentar, mas é claro que qualquer fogão faz isso, além de outros eletrodomésticos. O chocolate derrete com calor, mas em situações normais, corre o risco de queimar. Então algum chocólatra usou de astúcia: “e se a gente esquentar água e colocar a panela do chocolate dentro dela, para suavizar o calor?”. Provavelmente um colega o mandou ficar quieto na reunião da firma. E logo em seguida mencionou um método revolucionário que apelidou de “banho-josé”, em sua própria homenagem. 

Ou alguém na indústria de velas, cansado dos incêndios ao derreter a parafina, certo dia acordou empolgado e falou: “vou inventar o banho-maria!”. Mas aparentemente ninguém patenteou, o que me leva a crer que essa é uma engenhosidade instintiva. Os cachorrinhos batem as pernas no momento em que são suspensos sobre a água, tendo em mente o conceito básico pra nadar. Os gatos já têm em sua genética a caça de espreita. E o ser humano? Nasce com a faca e o queijo na mão pra fazer banho-maria. 

Esse conceito de moldar temperaturas é tão flexível que serve inclusive pra fazer sorvete de forma rudimentar. Dito isso, o que seria de nós sem o banho-maria? Pobres criaturas procurando outras formas menos práticas de esfriar ou esquentar algo. Provavelmente nem faria muita falta, nós daríamos um jeito. Mas que a vida seria mais difícil, é certo.

Saindo mais desse ambiente culinário, lembro de outra coisa simples, porém fascinante: o freio motor. Como naquela máxima: a maior invenção da humanidade foi a roda, e a segunda maior, o freio. Aparentemente essa frase também se aplica à indústria de motores. É algo planejado, mais complexo que derreter chocolate ou fazer sorvete. Mas fico me perguntando quando alguém teve a ideia de usar o motor, pra frear. As palavras “motor” e “freio” nem combinam. Como alguém decidiu usá-las na mesma sentença? O motor a gente sabe, serve pra movimentar, agitar, fazer a muvuca. E o freio ao contrário, breca, pesa, segura. Quem foi a mente brilhante que decidiu combinar esses dois elementos? Imagino a reunião da firma: “O que a gente pode adicionar de segurança pra desacelerar o carro?” Alguém sugeriu usar o motor. “Você tá maluco?” 

É claro que não foi assim, mas quem me garante? Resisto à vontade de pesquisar a respeito. Quando eu pesquiso, perco a graça de escrever. Porque daí já sei como é, e sei que não foi como desejava escrever. Então preciso escrever assim, na ignorância. E pesquiso depois, quando às vezes descubro que a minha versão é mais bonita.


Final de mais uma crônica! Mas logo haverá outra, preparada com o mesmo carinho! Enquanto isso, o que acha de conferir uma das minhas crônicas favoritas? É essa daqui:

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